Id
Entidade
Idade
Friday, April 06, 2007
Monday, March 19, 2007
De fato, acontece
Sexta-feira, 9 de março, 15h34
Sétimo dia na "Terra da Garoa". Que garoa que nada. O sol estufa os pulmões cosmopolitas num peso de 31º. A Avenida Paulista, orgulho de tantos, fervilha. Gente pra lá e pra cá. Mesmo sob o sol escaldante, os corpos são escondidos. Ou, no máximo, modestamente expostos.
No país miscigenado, eis uma cidade clara. As etnias de origem são européias e asiáticas. Mas, decerto, essas "cores" prevalecem nas elegantes e excludentes ruas do centro.
Um chope cor-de-vinho sacoleja com os escritos sobre a mesa. Tão cedo, já há quem desacelere na esquina entre a Paulista e a Padre João Miguel.
Curiosamente, muitos barbudos passam. De terno, de jeans, de bermuda e tênis. Todos, quase sempre, fechados. São belos.
As moças, de fato, possuem uma deselegância discreta. Nada que não lhes atribua um charme sisudo.
A "cultura" está em todas as esquinas. Teatros, teatros, teatros. Botecos, cafés, espaços culturais, museus. A cerveja parece ser a bebida do Baco regente.
Nas esquinas cheias, os passos apressados jogam-se à frente das rodas motorizadas. As faixas de pedestres, obviamente, não funcionam. A tática é arriscar-se. Mas sem um tiquinho que seja de dó. E que freiem os motores a mil. Estes, aliás, vêem nas buzinas bocas nervosas de seus discursos inflamados. Com elas, manifestam-se por tudo e qualquer coisa.
Os amigos? Ah, estes, sim, marcaram a primeira passagem. Risos e "sussurros fora-da-lei." A saudade já até bate. Até o momento solitário segue embalado pela doce companhia dos divertidos instantes vividos.
Enquanto os goles adocicados descem goela abaixo, o coração se aperta. Uma saudade, do futuro que voltará a ser e do que foi sem volta breve, toma conta.
Ao viver o momento e respirar o cinzento ar de São Paulo, esqueço dos entraves e desejo viver aqui. Pode ser mero anseio instatâneo. Mas que deixa a sensação de uma semana de impossível descrição. Pelos homens e mulheres, pelo concreto, pelo vertical, pelo novo misturado ao antigo, pelas lágrimas, pelas alturas.
Sétimo dia na "Terra da Garoa". Que garoa que nada. O sol estufa os pulmões cosmopolitas num peso de 31º. A Avenida Paulista, orgulho de tantos, fervilha. Gente pra lá e pra cá. Mesmo sob o sol escaldante, os corpos são escondidos. Ou, no máximo, modestamente expostos.
No país miscigenado, eis uma cidade clara. As etnias de origem são européias e asiáticas. Mas, decerto, essas "cores" prevalecem nas elegantes e excludentes ruas do centro.
Um chope cor-de-vinho sacoleja com os escritos sobre a mesa. Tão cedo, já há quem desacelere na esquina entre a Paulista e a Padre João Miguel.
Curiosamente, muitos barbudos passam. De terno, de jeans, de bermuda e tênis. Todos, quase sempre, fechados. São belos.
As moças, de fato, possuem uma deselegância discreta. Nada que não lhes atribua um charme sisudo.
A "cultura" está em todas as esquinas. Teatros, teatros, teatros. Botecos, cafés, espaços culturais, museus. A cerveja parece ser a bebida do Baco regente.
Nas esquinas cheias, os passos apressados jogam-se à frente das rodas motorizadas. As faixas de pedestres, obviamente, não funcionam. A tática é arriscar-se. Mas sem um tiquinho que seja de dó. E que freiem os motores a mil. Estes, aliás, vêem nas buzinas bocas nervosas de seus discursos inflamados. Com elas, manifestam-se por tudo e qualquer coisa.
Os amigos? Ah, estes, sim, marcaram a primeira passagem. Risos e "sussurros fora-da-lei." A saudade já até bate. Até o momento solitário segue embalado pela doce companhia dos divertidos instantes vividos.
Enquanto os goles adocicados descem goela abaixo, o coração se aperta. Uma saudade, do futuro que voltará a ser e do que foi sem volta breve, toma conta.
Ao viver o momento e respirar o cinzento ar de São Paulo, esqueço dos entraves e desejo viver aqui. Pode ser mero anseio instatâneo. Mas que deixa a sensação de uma semana de impossível descrição. Pelos homens e mulheres, pelo concreto, pelo vertical, pelo novo misturado ao antigo, pelas lágrimas, pelas alturas.
O futuro da saudade
De onde vem a saudade? Remetida sempre ao passado, ela faz crer que algo foi suficientemente bom. Por isso, provoca a memória. Aperta o peito. Arranca sorrisos... ou lágrimas.
É possível sentir saudade de algo que fez sofrer? E saber no agora que um dia se sentirá saudade de um instante?
Se possível fosse, sentiria saudade do cheiro orgânico de jaca caída, de água batida, da janela de casa. Ou dos dias de lasanha na sala sem janelas, onde mamãe serve a todos, faceiros, falastrões e de pança cheia.
Teria a saudade um gosto? E cor?
Há quem diga que nunca sentiu saudade. Ledo engano. Ainda que as portas da alma estejam trancafiadas, ela e suas sutilezas não tardam a chegar. E, quando menos se espera, o pensamento voa num momento felicitoso. E o risinho de canto de boca - mesclado, por vezes, às lágrimas que escorrem inconformadas - surge, sem mais nem por quê.
Saudade não se busca, idealiza, deseja. É relampejo posterior à felicidade, lembrando ao ego do alimento saboroso de outros tempos. Passados tempos...
É possível sentir saudade de algo que fez sofrer? E saber no agora que um dia se sentirá saudade de um instante?
Se possível fosse, sentiria saudade do cheiro orgânico de jaca caída, de água batida, da janela de casa. Ou dos dias de lasanha na sala sem janelas, onde mamãe serve a todos, faceiros, falastrões e de pança cheia.
Teria a saudade um gosto? E cor?
Há quem diga que nunca sentiu saudade. Ledo engano. Ainda que as portas da alma estejam trancafiadas, ela e suas sutilezas não tardam a chegar. E, quando menos se espera, o pensamento voa num momento felicitoso. E o risinho de canto de boca - mesclado, por vezes, às lágrimas que escorrem inconformadas - surge, sem mais nem por quê.
Saudade não se busca, idealiza, deseja. É relampejo posterior à felicidade, lembrando ao ego do alimento saboroso de outros tempos. Passados tempos...
Wednesday, December 27, 2006
MudAN(dan)DO
Rupturas. Sempre soam dolorosas. Sempre doem, de fato. Talvez porque o novo é o desconhecido, o diferente do acostumado, o que desafia.
Desvincular-se das asas da mãe (e também do pai, sim), sobretudo aquela que esteve presente em todos os momentos, foi parar e encarar o horizonte. Foi romper a segurança de ter colo todos os dias. Foi ter dúvidas se o prato favorito seria feito no domingo em família. Foi deixar aqueles que causam tanto orgulho.
Aquele foi um dia deveras doloroso. O aperto, tantas vezes poetizado, realmente angustiou o peito. Não foi apenas uma metáfora. E as lágrimas caíram assim, sem mais nem menos, mesmo sabendo que eles estariam ao alcance das mãos. O temor era ser vista como ingrata.
A primeira noite foi regada a gotas lacrimosas, reflexos, reflexões. O estranhamento vinha do estômago para os olhos. A dúvida do acerto ou do erro rodopiava a cabeça sem sono.
Setecentas e quarenta e quatro horas depois, o alívio já toma conta. A cultura da "nova vida" também. Bate saudade. Ainda há receio se a escolha foi certeira. Mas o aprendizado acalma o palpitar acelerado. E justifica a ruptura. Uma das tantas que rechearam meu 2006, um ano definitivamente inesquecível.
Desvincular-se das asas da mãe (e também do pai, sim), sobretudo aquela que esteve presente em todos os momentos, foi parar e encarar o horizonte. Foi romper a segurança de ter colo todos os dias. Foi ter dúvidas se o prato favorito seria feito no domingo em família. Foi deixar aqueles que causam tanto orgulho.
Aquele foi um dia deveras doloroso. O aperto, tantas vezes poetizado, realmente angustiou o peito. Não foi apenas uma metáfora. E as lágrimas caíram assim, sem mais nem menos, mesmo sabendo que eles estariam ao alcance das mãos. O temor era ser vista como ingrata.
A primeira noite foi regada a gotas lacrimosas, reflexos, reflexões. O estranhamento vinha do estômago para os olhos. A dúvida do acerto ou do erro rodopiava a cabeça sem sono.
Setecentas e quarenta e quatro horas depois, o alívio já toma conta. A cultura da "nova vida" também. Bate saudade. Ainda há receio se a escolha foi certeira. Mas o aprendizado acalma o palpitar acelerado. E justifica a ruptura. Uma das tantas que rechearam meu 2006, um ano definitivamente inesquecível.
Tuesday, October 17, 2006
Saudade do desconhecido
Se os poetas do Romantismo ainda existissem, eles certamente se surpreenderiam com a capacidade que esse mundo irreal – ou deveria dizer surreal? – da Internet tem de criar amores. Numa época em que a imagem define exclusivamente as paixões, é curioso observar que é possível amar e sentir saudade de quem não se conhece. Não se conhece face a face. Mas há ternura... ah, sim, se há! E como não há como existir ternura falsa, esses sentimentos são sinceros e causam deleite a cada prosa virtual, a cada sorriso arrancado em frente à máquina "fazedora" de sonhos e "platonicidades".
É nítido que não se pode acreditar em tudo o que se imagina quando se trata da idealização daquele que está do outro lado da tela. E quem liga? Também não se pode desprezar as novas formas de amor criadas pelo avanço mirabolante da inteligência humana. As sensações de afeto, de verdade, de carinho e até de saudade do que não se conhece “de fato”, por vezes, são tão ou mais reais quanto o que se sente por quem está aqui do ladinho, quem se pode tocar...
Como defendiam subliminarmente os próprios românticos, o atingível não tem graça alguma. Bom mesmo é imaginar como é o olhar, o cheiro e a voz da figura idealizada. Bom mesmo é sonhar acordada com um abraço que, sabe-se, dificilmente acontecerá. Melhor assim! A vida real é menos bonita que o sonho, não é mesmo? Então, que assim seja. Que as comunidades, as relações, os amores, as amizades e as cumplicidades criem novas e outras tantas formas de troca. Que o amor seja capaz de transpassar a barreira do real, do socialmente aceitável, do humanamente palpável. Que as palavras virtualmente propagadas sejam capazes de gerar mais afeto nesses corações tão endurecidos pela realidade. E que os meus três amores - iguais no espaço, mas diferentes em suas manifestações - multipliquem-se e me façam sentir tão viva e feliz outras vezes quanto sinto-me agora.
É nítido que não se pode acreditar em tudo o que se imagina quando se trata da idealização daquele que está do outro lado da tela. E quem liga? Também não se pode desprezar as novas formas de amor criadas pelo avanço mirabolante da inteligência humana. As sensações de afeto, de verdade, de carinho e até de saudade do que não se conhece “de fato”, por vezes, são tão ou mais reais quanto o que se sente por quem está aqui do ladinho, quem se pode tocar...
Como defendiam subliminarmente os próprios românticos, o atingível não tem graça alguma. Bom mesmo é imaginar como é o olhar, o cheiro e a voz da figura idealizada. Bom mesmo é sonhar acordada com um abraço que, sabe-se, dificilmente acontecerá. Melhor assim! A vida real é menos bonita que o sonho, não é mesmo? Então, que assim seja. Que as comunidades, as relações, os amores, as amizades e as cumplicidades criem novas e outras tantas formas de troca. Que o amor seja capaz de transpassar a barreira do real, do socialmente aceitável, do humanamente palpável. Que as palavras virtualmente propagadas sejam capazes de gerar mais afeto nesses corações tão endurecidos pela realidade. E que os meus três amores - iguais no espaço, mas diferentes em suas manifestações - multipliquem-se e me façam sentir tão viva e feliz outras vezes quanto sinto-me agora.
Monday, August 28, 2006
Melancolia enfim
Sabe aqueles dias em que você tem vontade de pisar o pé no freio e parar o mundo? É, é exatamente aquela piada bobinha: "Pare o mundo que eu quero descer!!". Pois então. Esses dias vêm repentinamente. Em meio à alegria ou à inércia do cotidiano, surge aquela nuvenzinha com cara de tempestade. Ela te joga pra baixo, te deixa pensativo. Creio que, em mim, a sensação melancólica é um tantinho maior... Sabe-se lá o por quê disso, mas que é, é. E por incrível que pareça, acho até bom esse aperto no coração.
Calma, calma, não sou mazoquista não. É que nessas fases, curiosamente, conheço-me mais; aprecio-me mais; questiono-me mais; emociono-me mais.
O ruim desse contexto é sentir-se tão pequeno e inútil quanto... Opa! Não consegui algo tão pequeno e inútil para comparar. Talvez seja sinal de que não tenha nada tão pequeno e inútil assim.
Bem, enfim, mas que a gente se sente choroso e faz cara de lamúria, ah, isso faz... Mas, aos poucos, depois de doces olhares, estralados beijos, carinhosas palavras, essa angústia vai se esvaindo, e deixa na gente o gosto na boca de mais uma lição aprendida.
Mais uma colérica e sábia lição. Somada a tantas outras, depois de lágrimas, soluços, dores e apertos. Mais uma para o nosso "cabideiro de sentimentalismos", exposto no canto do quarto da solidão.
Calma, calma, não sou mazoquista não. É que nessas fases, curiosamente, conheço-me mais; aprecio-me mais; questiono-me mais; emociono-me mais.
O ruim desse contexto é sentir-se tão pequeno e inútil quanto... Opa! Não consegui algo tão pequeno e inútil para comparar. Talvez seja sinal de que não tenha nada tão pequeno e inútil assim.
Bem, enfim, mas que a gente se sente choroso e faz cara de lamúria, ah, isso faz... Mas, aos poucos, depois de doces olhares, estralados beijos, carinhosas palavras, essa angústia vai se esvaindo, e deixa na gente o gosto na boca de mais uma lição aprendida.
Mais uma colérica e sábia lição. Somada a tantas outras, depois de lágrimas, soluços, dores e apertos. Mais uma para o nosso "cabideiro de sentimentalismos", exposto no canto do quarto da solidão.
Subscribe to:
Posts (Atom)

